quinta-feira, 22 de setembro de 2011

"Laranja Mecânica"

Depois de um bom tempo sem aparecer, aqui estou eu novamente dando as caras no blog com com uma ficção científica. Dessa vez, venho recomendar "Laranja Mecânica".

Bom, o livro escrito por Anthony Burgess é na verdade mais conhecido pela sua famosa e icônica adaptação ao cinema, dirigido pelo grande Stanley Kubrick, em 1971.

Em resumo, conta a história de Alex, um líder de gangue em uma Londres futurista, que choca o leitor com seu puro prazer por ultraviolência, cometendo espancamentos, estupros e assaltos por mera diversão. O que acontece é que Alex passa dos limites, e a única maneira de sair do buraco em que ele se enfiou é aceitar ser cobaia de uma rigorosa experiência social do governo para eliminar tendências criminosas.

Achei interessante o modo do governo responder às atitudes violentas dos jovens das gangues: com um método tão agressivo, desumano e doloroso quanto os próprios atos de Alex. O método aplicado ao personagem é tão cruel e lastimável, que ele perde praticamente seu livre arbítrio, tornando-se refém de si mesmo.

Tem que ler para saber exatamente o que foi esse processo para o personagem e o que isso causou a ele e à toda a sociedade.

Uma coisa que digo é que vale muito a pena ler o livro e não apenas ver o filme. Por uma simples razão: o autor cria uma "linguagem" única chamada nadsat usada pelas gangues de Londres. Dessa forma, soma-se mais um impacto na leitura de grande estranhamento às palavras, além do grande choque à crítica do livro e temática abordada.

Quando comecei a ler achei extremamente bizarro. Palavras como "druguis", "horrowshow", "devotchka" e "skorre" enchem os parágrafos das páginas, não apenas tornando o livro mais interessante, mas especialmente mais inquietante. Eu realmente espero que seja tão bom pra você quanto foi para mim ler essa obra, de verdade.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Elogio da Loucura"

Boa madrugada,

Escrito pelo teólogo Erasmo de Rotterdam, o breve livro é narrado pela própria Loucura, que é personificada a fim de exaltar seus benefícios para a sociedade e mostrar como é essencial para a vida.

Não quero falar demais sobre o conteúdo porque acho que realmente vale muito a pena ter uma experiência direta/pessoal com o texto. Mas, é mais ou menos o seguinte: já que a humanidade não reconhece a Loucura pelas maravilhas que ela proporciona, a própria faz elogios a si mesma.

É do tipo de livro que tem que ler com uma caneta na mão, porque vai dar muita vontade de grifar vários trechos bacanas. Faz relação com amor, amizade, política, mitologia e, principalmente, com religião. Não são poucas as citações da Bíblia. Creio que isso se deve muito ao passado do autor: filho de um relacionamento ilícito entre um padre e uma moça, que abraçou o sacerdócio quando jovem.


Observando todo o sistema religioso católico, Erasmo criticou vários teólogos e sociólogos em prol de uma reforma interna da religião (porém, em discordância com a reforma protestante). Então, acho que foi em consequência dessa situação de crítica que ele escreveu o ápice de sua literatura satírica com o "Elogio da Loucura".

"Aquele dentre vós que se julga sábio, que ele abrace a loucura para encontrar a sabedoria". Recomendo e muito a leitura. O livro tem menos de 150 páginas e é facilmente encontrado na versão pocket, que é prático e mais barato.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Electric Ant"


Nem gosto tanto da Marvel, mas nesse caso se trata de um graphic novel inspirado pelo conto de mesmo nome do Philip K. Dick, que julgo ser um dos melhores, se não o melhor, autor de ficção científica cyberpunk. O que eu li até agora do cara me encantou.

A história se inicia com Garson Poole, chefe de uma importante empresa, acordando de um acidente em uma sala de hospital. Dizem que ele não pode ser atendido lá. E o porquê choca o Poole, ele não pode ser atendido por não ser humano. É nessa hora que ele descobre toda a sua visão de si mesmo estava equivocada, ele é uma máquina orgânica, um "electricant".

E é a partir desse momento que ele começa a questionar toda a realidade ao seu redor e do seu interior, consciente e inconsciente. Será que sua amante é realmente uma pessoa real que o ama, ou será que é apenas parte do seu programa para que fique satisfeito? Para o quê ele foi de fato criado? Suas memórias são reais? Saber disso fará alguma diferença?

Ao lado de Sarah Benton, sua amante e colega de trabalho, ele tenta compreender como o corpo dele funciona, e acaba descobrindo formas de manipular o tempo e alterar a frequência de onda do próprio "cérebro". O lance é que Poole está evoluindo, e querem o matar.

Não posso contar mais, infelizmente. Deixo pra vocês lerem agora. A história é muito boa e a arte interna é ótima também. Um fato que acho que vale a pena ressaltar é que a HQ tem apenas 5 edições, ou seja, é rápido (ao contrário de muitas histórias em quadrinhos que parecem ser intermináveis). Ah, contém conteúdo adulto.

* Relevem possíveis erros gramaticais: estou com um pouco (bastante) de sono.